Não poderia começar este artigo de outra maneira que não fosse agradecendo as muitas manifestações simpáticas que recebi ao longo da semana pela volta desta coluna, e a melhor maneira de retribuir tanto apreço é responder algumas das perguntas e comentar as sugestões que meus diletos leitores e graciosas leitoras enviaram.
Muitos querem saber se tenho twitter. Não tenho, nem quero. Não gosto de ninguém me seguindo. Já me bastam os fofoqueiros de plantão e os credores habituais.
Mais de um leitor, exatamente dois, sugeriram que eu escrevesse sobre um robozinho-espião que a prefeitura vai usar para dedurar as ligações clandestinas de esgoto na cidade. Não vejo nada de novo nisso, um araponga a mais, nessa altura do campeonato, não vai fazer a menor diferença. Desde que assumiu, a prefeita vem estimulando um clima de guerra-fria dentro da administração. Um verdadeiro SMI, Serviço Municipal de Informações, foi montado com olheiros infiltrados dentro de todas as secretarias, repartições, unidades de saúde e de ensino, o que vem causando um grande desconforto e gerando atritos com o funcionalismo (aquele mesmo que ela prometeu em campanha, valorizar). Alguns destes gansos não se limitam aos seus relatórios e chegam até a intimidar pessoalmente os funcionários e, não raro, se identificam como “amigos íntimos” ou até como “parentes” da prefeita. Coagir e constranger servidores municipais não vai trazer mais eficiência à máquina pública. Se eu fosse escrever alguma coisa sobre isso, iria sugerir à prefeita que economizasse nosso dinheiro e mandasse seus X-9, que já estão na folha de pagamento, para dentro do esgoto fazer o trabalho do tal robô. Lá é o lugar deles.
Outra leitora pede a minha opinião sobre a nefasta iniciativa de eleger prefeitos e vereadores mirins sob o pretexto de “estimular o protagonismo juvenil, colocando o jovem no centro de um processo político, estreitando os laços deste público com a comunidade em que vivem e com diversas instâncias do Poder Público local” e outras baboseiras do gênero. Já escrevi sobre o assunto e mantenho minha posição. Penso que esse tipo de coisa só serve para desvirtuar a cabecinha dos nossos petizes . Deveria ser feito um estudo sobre o impacto moral, ético e social que este tipo de coisa pode causar em inocentes criaturas. Será que a nossa prefeita-mirim (vocês já repararam que ela está mais gordinha¿) tem um acompanhamento psicológico e comportamental adequado¿ Se adulto que é adulto quando chega no poder muda ou fala que muda mas não muda (entenderam¿), imaginem os baixinhos. O que mais me impressiona é que o nosso zeloso Estatuto da Criança e do Adolescente é omisso nesse caso. Como tudo indica que essa praga, que já se institucionalizou na grande maioria dos municípios do Brasil, não vai acabar mesmo, proponho que também se crie a oposição mirim e já tenho até o nome: Inconfidentes-de-leite.
Para terminar e justificar o titulo deste artigo, quero destacar o comentário de um leitor sobre esta coluna: “Todo mundo quer ver o circo pegando fogo, mas são poucos os palhaços que têm coragem de espalhar a gasolina”. Acho que foi um elogio.
sexta-feira, 22 de janeiro de 2010
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