Artigos publicados no jornal Cidade de Guarujá

sexta-feira, 22 de janeiro de 2010

Alegria de palhaço

Não poderia começar este artigo de outra maneira que não fosse agradecendo as muitas manifestações simpáticas que recebi ao longo da semana pela volta desta coluna, e a melhor maneira de retribuir tanto apreço é responder algumas das perguntas e comentar as sugestões que meus diletos leitores e graciosas leitoras enviaram.
Muitos querem saber se tenho twitter. Não tenho, nem quero. Não gosto de ninguém me seguindo. Já me bastam os fofoqueiros de plantão e os credores habituais.
Mais de um leitor, exatamente dois, sugeriram que eu escrevesse sobre um robozinho-espião que a prefeitura vai usar para dedurar as ligações clandestinas de esgoto na cidade. Não vejo nada de novo nisso, um araponga a mais, nessa altura do campeonato, não vai fazer a menor diferença. Desde que assumiu, a prefeita vem estimulando um clima de guerra-fria dentro da administração. Um verdadeiro SMI, Serviço Municipal de Informações, foi montado com olheiros infiltrados dentro de todas as secretarias, repartições, unidades de saúde e de ensino, o que vem causando um grande desconforto e gerando atritos com o funcionalismo (aquele mesmo que ela prometeu em campanha, valorizar). Alguns destes gansos não se limitam aos seus relatórios e chegam até a intimidar pessoalmente os funcionários e, não raro, se identificam como “amigos íntimos” ou até como “parentes” da prefeita. Coagir e constranger servidores municipais não vai trazer mais eficiência à máquina pública. Se eu fosse escrever alguma coisa sobre isso, iria sugerir à prefeita que economizasse nosso dinheiro e mandasse seus X-9, que já estão na folha de pagamento, para dentro do esgoto fazer o trabalho do tal robô. Lá é o lugar deles.
Outra leitora pede a minha opinião sobre a nefasta iniciativa de eleger prefeitos e vereadores mirins sob o pretexto de “estimular o protagonismo juvenil, colocando o jovem no centro de um processo político, estreitando os laços deste público com a comunidade em que vivem e com diversas instâncias do Poder Público local” e outras baboseiras do gênero. Já escrevi sobre o assunto e mantenho minha posição. Penso que esse tipo de coisa só serve para desvirtuar a cabecinha dos nossos petizes . Deveria ser feito um estudo sobre o impacto moral, ético e social que este tipo de coisa pode causar em inocentes criaturas. Será que a nossa prefeita-mirim (vocês já repararam que ela está mais gordinha¿) tem um acompanhamento psicológico e comportamental adequado¿ Se adulto que é adulto quando chega no poder muda ou fala que muda mas não muda (entenderam¿), imaginem os baixinhos. O que mais me impressiona é que o nosso zeloso Estatuto da Criança e do Adolescente é omisso nesse caso. Como tudo indica que essa praga, que já se institucionalizou na grande maioria dos municípios do Brasil, não vai acabar mesmo, proponho que também se crie a oposição mirim e já tenho até o nome: Inconfidentes-de-leite.
Para terminar e justificar o titulo deste artigo, quero destacar o comentário de um leitor sobre esta coluna: “Todo mundo quer ver o circo pegando fogo, mas são poucos os palhaços que têm coragem de espalhar a gasolina”. Acho que foi um elogio.

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